Toque. Pronta. Vai.
Na esgrima, o combate começa antes mesmo do primeiro toque da lâmina. Imagine-se numa pista de esgrima: o coração acelera, os sentidos ficam atentos. É ali que Beatrice “Bebe” Vio, nascida em 4 de março de 1997 na Itália, ensina que cada movimento, mesmo o mais improvável, pode ser uma afirmação de vida.
Aos 11 anos, Bebe foi atingida por uma meningite fulminante. Para salvá-la, os médicos precisaram amputar seus antebraços e pernas. A maioria das pessoas aceitaria o fim dos sonhos como parte do pacote da sobrevivência. Mas não Bebe. Ela não apenas sobreviveu — ela reinventou o jogo.
Reaprendeu a andar. A escovar os dentes. A abrir janelas. E, com próteses adaptadas e florete amarrado ao braço, voltou à esgrima — sendo a única atleta do mundo a competir sem braços e pernas nessa modalidade. Bebe desenvolveu sua própria técnica, fundiu persistência com criatividade e, em poucos anos, tornou-se campeã mundial, europeia e duas vezes paralímpica, com ouros no Rio (2016) e em Tóquio (2021).
Sua história vai além das medalhas. Fundadora da ONG art4sport, ela abre caminhos para outras crianças com deficiência encontrarem no esporte um espaço de potência. Como se isso não bastasse, ainda atua como ativista da vacinação e inspiração global com seu carisma — estrela de documentário, embaixadora de marcas, vencedora do prêmio Laureus e presença marcante por onde passa.
Beatrice nos convida a transformar nossas cicatrizes em espadas.
“Para ser especial,” diz ela, “você precisa transformar sua fraqueza naquilo que te deixa mais orgulhosa.”
Agora, é sua vez. Pronta?
Toque. Pronta. Vai.




